quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ortodoxismo



"Presume conhecer a verdade e não está disposto a aprender; constitui soberba e arrogância tomar para si as prerrogativas divinas da infalibilidade e da inerrância; ele odeia toda verdade que não lhe seja familiar e a persegue até as últimas consequências"
Esta é a definição de "ortodoxismo" de Charles Augustus Briggs, grande teólogo do séc. XIX.

Infelizmente, apesar da cultura pós-moderna nos incentivar a buscar novidades e inovações, teólogos e pastores contemporâneos abraçam dogmas e doutrinas ultrapassados, se prendendo ao velho e rejeitando o novo. Esta postura, apesar de compreensível, é extremamente contraproducente. Enquanto perdem tempo debatendo e tentando convencer pessoas que determinada maneira de celebrar a ceia não é permitida, mendigos passam fome nas ruas.

É impossível saber tudo sobre Deus ou o universo, caso contrário, Deus não seria Deus e o universo mais finito que nossa ínfima existência. Logo, qualquer doutrina que alega ter todas as respostas, já fracassou ao ignorar o seu fracasso. Ora, se não sabemos tudo, então há espaço para novidades. Isso sem mencionar o fato de o próprio Deus se comunicar com pessoas e povos, ao longo da história, dentro dos limites de entendimento cognitivo, científico e cultural de cada época. Portanto, querer levar o texto bíblico ao pé da letra é, na melhor das hipóteses, anti-bíblico. Imagine se nossos casamentos fossem arranjados por pais de adolescentes como na época de Cristo? Jesus não se opôs a isto, mas ele sabia que fazia parte daquele tempo e daquela cultura. Hoje é incabível em nossa cultura, mas pela ótica literalista, talvez devesse ser a regra.

Quando a igreja foi confrontada com a verdade de que a terra não é o centro do universo o sol não gira em torno dela, e sim o oposto, bispos e sacerdotes se apressaram em desmentir Galileu, na esperança de "proteger" ou "defender" a sabedoria de Deus e da bíblia. Mas Jesus não pediu advogados, pediu?

Aceitar uma nova ótica sobre uma realidade da vida cristã não significa que Deus, a bíblia ou a igreja estavam errados, mas sim que houve muitas verdades em diversas localidades e épocas diferentes, e hoje há uma nova verdade. Maior prova disso é ver o Deus dos Exércitos de Josué, Davi e outros e saber que Deus não se manifesta mais desta forma porquê, se o fizesse nos dias atuais, no mínimo, teria um sentido oposto ao pretendido por Ele e que de fato foi atingido naquela época.

Não tenhamos medo de mudar, não tenhamos medo do novo. Deus está no velho, mas também está no novo.

A Incoerência Maligna do Ser Humano



O ser humano é engraçado...

Quando a tragédia o ataca, inevitavelmente, a certa altura, ele reflete: "por que eu?". No entanto, ele jamais fará essa pergunta se ganhar na loteria. Se um filho se comporta bem, o ser humano se parabeniza. Mas se o filho se rebela, esse mesmo ser humano culpa o filho.

Thomas Hobbes acertou quando disse que o ser humano é auto-referente. Ele (ser humano) assume a responsabilidade pelas coisas boas e se dissocia das ruins para preservar seus próprios interesses. Existe um "quê" de maligno na essência do ser humano.

Jesus, por outro lado, vai contra esta tendência malévola do homem quando o estimula a viver o amor altruísta a 24x7. É um exercício diário que, invariavelmente, vez por outra, será perdido. Mas isso não é motivo para deixar de tentar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Das Trevas para a Luz




A caverna. Escura, fria, abafada, úmida demais... um péssimo lugar para se viver. Porém, para os que dela nunca saíram e só a ela conhecem, simplesmente ‘lar, doce lar’. 

Este é o conhecimento de senso comum: estreito, limitado, porém seguro de si mesmo; certo de si mesmo. Assim é a caverna: o pequeno campo do senso comum, onde o não saber é, na verdade, o imutável saber, e reina soberano sobre seus cativos escravos. As sombras, projeções toscas e simples do real, são tudo o que se conhece dentro da caverna. Por este motivo, os cativos supõem que sejam os próprios objetos; a própria verdade. As correntes que aprisionam a maioria dos homens dentro da caverna devem (ou, pelo menos, deveriam) ser rompidas. Se assim acontecesse, embora resistente num primeiro momento, o homem que rompeu as correntes (ou teve suas correntes rompidas) descobrirá a luz do Sol e compreenderá que o Sol é a causa de tudo o que vê ao redor; causa da luz, da visão e dos objetos da visão. Deste modo, passaria do estágio cognitivo do pensamento para o da compreensão.

O objetivo da educação, para os que estão fora da caverna, é, uma vez resgatado um prisioneiro, arrastá-lo para o mais longe possível da caverna; não para inserir gota a gota o conhecimento em sua alma, mas para voltar toda a sua alma para o Sol, que é a Forma do Bem. Uma vez fora da caverna, o prisioneiro fica relutante para descer de novo para a caverna e se envolver nas coisas humanas. Ele amaldiçoa aquele lugar. Sente sorte por seu destino e desprezo pela (falta de) sorte dos que ficaram. Sua visão não está mais acostumada ao escuro e ele pareceria ridículo àqueles que outrora foram seus semelhantes. Assim acontece. Ao voltar à caverna, os cativos dizem a ele que sair para o exterior de nada vale e lá fora nada se aprende, pelo contrário, os homens retornam enxergando menos. No entanto, aquele que já contemplara o Sol, após se acostumar novamente com as trevas, sabendo a origem e o ser verdadeiro das sombras, logo se movimentaria, mesmo ali no mundo subterrâneo, melhor e de maneira mais hábil que os outros cativos e, caso tivesse paciência e perseverança, poderia demonstrar a sua sabedoria aos prisioneiros. Assim é a vida do filósofo. Assim é a vida do cristão.

"Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo escolhido de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." 1Pedro 2:9

Leia novamente o texto, desta vez substituindo as seguintes palavras:
→ Caverna por Mundo
→ Senso Comum por não Cristão
→ Correntes por Pecado
→ Sol por Deus

terça-feira, 26 de julho de 2016

A verdade por Trás dos Fatos - Uma Perspectiva Cristã

PM's assassinam jovens por confundi-los com bandidos

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/11/cinco-jovens-sao-mortos-no-rio-e-parentes-das-vitimas-culpam-pm.html

Esta notícia traz consigo uma série de questões bíblicas[1] e pode ser analisadas à luz do evangelho. Podemos observar desigualdade social, despreparo profissional, crueldade, desespero... uma lista quase infinita de adjetivos negativos.

Este tipo de situação se repete rotineiramente em nossas grandes cidades devido a ausência quase total de valores cristãos, mas que também podem ser encontrados em outras religiões. O cristianismo, quando presente nos altos escalões do governo, i.e., não um governo cristão como defendera João Calvino, mas pessoas que compõem a máquina dotadas dos valores pregados por Cristo, evita este tipo de situação por caminhar em direção oposta. Não há educação nem saúde e, com isso, tampouco oportunidades de carreiras para as camadas mais baixas da sociedade. Assim sendo, a criminalidade aumenta. Como também não há segurança, o poder paralelo se estabelece como autoridade máxima nos guetos. Por questões de imagem, os políticos não admitem estado de calamidade e, por que não, guerra contra os déspotas e ditadores locais. Deste modo, o policiamento local, preparado para questões urbanas, tem que lidar com questões militares, como é o caso do poder paralelo usurpador do território soberano do estado. Nas ruas da cidade, o policial tenta ser policial. Nos arredores das comunidades, ele se torna um soldado. Acontece que dentro das comunidades moram pessoas que trabalham fora da comunidade e, de algum modo, apesar de muitas vezes aceitarem os “pseudobenefícios” oferecidos pelo tráfico, sentem-se como os demais moradores da cidade, e não têm consciência do estado de guerra em que os poderes se encontram. Na guerra não há piedade, e o policial sabe disso, pois muitos de seus companheiros caíram nas mãos dos bandidos e eles sabem as consequências. Assim sendo, por extinto natural humano, o policial reage agindo sem piedade para com seus inimigos. Na guerra é assim. Mas, para todos os efeitos, não há guerra. Assim, quando um ato de guerra, por engano atinge civis que não fazem parte da guerra, surge indignação.

O policial não é um vilão, é um coitado, manipulado pelo sistema. Mas isso não tira a culpa de cada um dos envolvidos em tentar alterar a cena, apesar de isso ser um ato de desespero de quem vive toda essa situação e sequer tem plena consciência dela. As vítimas, pelo menos não sentiram dor. Coitados são seus familiares, em situação mais desesperadora que a do policial. Estes são, literalmente, vítimas das vítimas. Tanto pelo lado da polícia, representante do estado, como pelo lado do poder paralelo, opositor ao estado. Policiais, jovens, familiares, bandidos... são todos vítimas. Vítimas do nosso Leviatã: o estado brasileiro.

A aplicação direta e pragmática do cristianismo é uma opção válida. No entanto, nesta instância, é como morfina para o soldado baleado em campo de batalha, é enxugar gelo. Podem (e devem) ser feitas ações sociais de todos os tipos levando um pouco de alívio a algumas das vítimas. No entanto, a solução definitiva vem de cima para baixo. É preciso que pessoas de coração puro participem e influenciem diretamente nas ações do governo em todos os seus ministérios, para que este ciclo vicioso que começa na ausência de educação, saúde e segurança seja interrompido. O voto deve ser valorizado e os cristãos devem se aproximar da política. Não uma aproximação como já vimos diversas vezes, tentando cristianizar o estado, mas uma aproximação com a mentalidade do Reino, da vocação ensinada por Lutero. Uma aproximação com o olhar para o próximo, e não para dentro da igreja.

[1] A utilização deste termo nesta construção pode parecer biblicista, posição que este autor não sustenta. A palavra aqui representa todo o universo cristão e, em especial, sua dimensão horizontal

domingo, 17 de julho de 2016

A Felicidade -em poucas palavras-



Felicidade. Para muitos, erroneamente confundida com alegria. A alegria é uma emoção que é gerada toda vez que algo de bom, seja esperado ou não, acontece. Diferente é a felicidade; esta é um estado de espírito. Jesus nos deu boas pistas para a felicidade ao descrever as bem-aventuranças, relatadas no livro de Mateus 5:3-12.

Ser feliz é entender que a realização não está numa meta estabelecida, isto é, não é a promoção no trabalho, a compra de um sonhado imóvel ou a obtenção de um diploma. Ser feliz é entender que, seja qual for a meta, percorrer o caminho até ela é a grande conquista. Epicuro (filósofo grego) estava certo quando, há mais de dois mil anos, ensinou que devemos aproveitar cada momento da vida. Não como se fosse o último, isto seria hedonismo, mas entendendo que são únicos, acontecem uma só vez.

Feliz é o que chora, o que ri, o que sofre, o que abandona ou supera o sofrimento, o que ama, o que é amado, o que perde um grande amor, o que é traído e sente o coração esmagado... enfim, feliz é todo aquele que vive a vida sem esperar dela mais do que ela possa dar, vivendo efetivamente cada momento.

O que a Bíblia diz Sobre o Dízimo?



Acesse sua bíblia e boa leitura!

O dízimo é santo (Lv. 27:30), disso nós sabemos. Também estamos cientes que é nossa responsabilidade o sustento da "instituição igreja" (Ml. 3:10a). Mas você já se perguntou o que a bíblia, como um todo, diz a respeito deste assunto tão delicado e, por vezes, tão incômodo para alguns?

Ao longo de toda a escritura sagrada, o único registro de que o próprio Senhor se dispõe a ser provado, é em relação aos dízimos (Ml. 3:10b). Deus promete bênçãos (não necessariamente materiais) aos que ofertam com o coração (Ml. 3:11-12). A bíblia também afirma que tudo o que existe pertence ao Pai (Sl. 24:1), tudo o que temos vem de Suas mãos, (1Cr. 29:14), e que a entrega dos dízimos nos ensina a ser tementes ao Senhor (Dt. 14:23). Os que participam com alegria e sinceridade, estes são amados por Deus (2Co. 9:6-8).

Ao dizimar com alegria, me afasto da avareza (1Tm. 6:10), e tudo o que peço, recebo (Mt. 7:7-9). Obedeço a Deus (At. 5:29) e sei que minha descendência não passará fome ou qualquer outra necessidade básica (Sl. 37:25).

Sendo dizimista de coração, minha consciência permanece tranquila (1Tm. 1:19), sei que receberei de Deus com a mesma medida (Lc. 6:38) e que meu salário não será posto em um saco furado (Ag. 1:6). Tenho certeza que Deus suprirá toda necessidade (Fp. 4:19) através do meu trabalho, me abençoará e me permitirá colher daquilo que eu plantar (Gl. 6:7).

"Há maior felicidade em dar do que em receber" - Atos 20:35

terça-feira, 12 de abril de 2016

Sobre Legalistas e Gays



Nos últimos dias, o universo Batista brasileiro tem vivido uma grande polêmica, mas que diz respeito a toda a cristandade mundial. Recentemente, a Igreja Batista do Pinheiro, sediada há 46 anos em Maceió-AL, após longo período de oração e reflexão decidiu batizar e aceitar como membros pessoas homossexuais. Esta decisão causou enorme frenesi entre as igrejas ligadas à CBB (Convenção Batista Brasileira). A maioria dos pastores e líderes ligados à denominação Batista consideram a atitude da igreja errada, e por esta razão pretendem expulsá-la da Convenção. Eis um pequeno trecho de uma nota emitida por um grupo de pastores autodenominados conservadores: "Nós, pastores, irmãos e irmãs [...] fiéis a palavra de Deus [...] manifestamos [...] que a Igreja Batista do Pinheiro [...] entrou em colisão com a bíblia".

À luz da Bíblia, gostaria de refutar a soberba nota.

Primeiramente pergunto: o que é pecado?  Se pecado são somente atitudes externas e politicamente condenáveis, então de fato, a igreja não deve ter pecadores entre os seus. No entanto, o apóstolo João fez uma surpreendente afirmação, cerca de dois mil anos atrás: "se dissermos que não temos pecado algum, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" 1 João 1:8. Ora, se aceitamos as palavras de João, então não podemos dizer que qualquer de nós está livre do pecado. Existem pecados internos, e é por isso que o rei Davi ora a Deus no Salmo 139 pedindo que o Senhor sonde seu coração, examine sua vida e lhe diga os caminhos que ainda não são puros, para que ele possa tentar mudar.

No entanto, antes mesmo de João escrever estas palavras, ninguém menos que o nosso Senhor Jesus, quando confrontado em situação semelhante, declarou: "aquele que não tem pecado atire a primeira pedra." Esta passagem está no capítulo 8 do evangelho de João e narra o episódio de uma mulher pega em adultério. Naquele tempo, a mulher flagrada em adultério era tão mal vista como aquele que se declara gay nos dias de hoje em um ambiente eclesiástico.

Ora, se a igreja é considerada como corpo de Jesus, e se Jesus jamais afastou de si pessoas de "má fama", com que base bíblica a igreja contemporânea alega que "pecadores" não podem fazer parte da membresia? Estaria esta igreja adotando postura semelhante àqueles que queriam apedrejar a pobre mulher?

Não encontrei nessas passagens (nem no restante da bíblia) alguma alusão à diferença ou grau de pecado. Jesus jamais apontou para alguns pecados como sendo piores que outros. Assim sendo, pergunto aos irmãos conservadores o critério seletivo utilizado para o batismo. Gays não podem ser batizados? Pessoas fofoqueiras, egoístas, falsas, desonestas, corruptas, mal educadas, agressores físicos e/ou verbais etc também são identificados e expulsos de suas igrejas? Tomando o homossexualismo como pecado à luz de Levítico e Paulo, ainda assim não há motivos para gays não serem aceitos como membros de igrejas Batistas ou de qualquer outra denominação, caso prefiram.

Esta polêmica toda gira em torno do batismo (que "não salva"). No entanto, os passos de Jesus sinalizam que ele se importava mais com as pessoas do que com as circunstâncias que as envolviam. Talvez esta discussão fosse mais sadia se apontasse para o "pós-batismo". Como esta igreja vai lidar com seus novos membros? Será que estão preparados para tamanho desafio, orientar estes novos cristãos na busca por Cristo e um relacionamento sadio com ele? São perguntas importantes dignas de serem respondidas.

Está escrito: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito para que TODO AQUELE QUE NELE CRER, não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3.16). A igreja de Cristo precisa ser coerente e aceitar pecadores que professem sua fé em Jesus. Precisamos ser semelhantes a Cristo, e não a saduceus ou fariseus.

Que o Senhor possa quebrantar nossos corações.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Deus Deseja Atender a Todos os Pedidos?


“E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão” – Mt 21:22.

Provavelmente todos nós já ouvimos – ou conhecemos casos – de pastores e ministros do evangelho usarem este versículo para justificar o evangelho da prosperidade. Confesso que é tentador olhar para um versículo isolado e extrair dele um significado confortável para o meu ego pecaminoso e caído. Não é nem um pouco chato pensar que, se eu tiver fé suficiente, vou pedir um Mercedes-Benz a Deus e Ele vai me dar.

No entanto, esta frase proferida pelo próprio Senhor Jesus, passa longe de ter este significado. A mensagem bíblica como um todo não fala em prosperidade se não para mencionar o sustento advindo do Senhor, em especial com relação ao que vestir e comer. Esta passagem não foge a regra.

Antes de dizer as palavras que estão registradas neste verso, Jesus amaldiçoou uma figueira que não dava frutos. Qual mensagem Ele tentou nos passar com essa atitude? Simples: Ele havia convocado todos a participarem do reino de Deus e, participando do reino, é natural – ou mesmo obrigatório – gerar frutos. Nós, assim como a figueira, fomos criados por Deus com o objetivo de amadurecer e gerar frutos. A estes frutos, Deus nos dá a liberdade de sonhar e desejar que se multipliquem. A multiplicação desses frutos é a promessa garantida por Jesus, e não qualquer desejo mesquinho. Assim, eu posso ser frutífero no louvor, mas desejo também dar frutos no serviço. Este meu desejo em prol do reino de Deus na terra, posto em oração, o Senhor há de conceder.

Que a Igreja do Senhor deseje cada dia mais multiplicar os seus frutos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

E os outros 6 dias?



Nós cristãos temos a tendência de sacralizar o domingo e os momentos de culto em nossas igrejas. Tornamo-los “momentos santos”, separando-os como uma espécie de oferta a Deus, uma troca por Sua proteção e seus favores. E a vida segue “normalmente” de segunda a sexta, no nosso trabalho e nas demais relações interpessoais.

Esquecemo-nos, porém, que o agir de Deus no mundo, a forma que Ele preferencialmente usa para falar com as pessoas se dá através de outras pessoas. E essas outras pessoas somos nós! As vezes Ele fala simplesmente através do exercício ético e comprometido de nossas vocações, outras vezes faz com que nossas ações se combinem com ações de uma terceira pessoa para criar um cenário ou uma situação específica que fale com uma única pessoa.

Para tudo isso acontecer, no entanto, é preciso que nos coloquemos a disposição do Senhor. Portanto, o domingo e os cultos são sim importantes, momentos de louvor a Ele. No entanto, os outros dias e o tempo que passamos nos relacionando com pessoas fora do ambiente da igreja são tão importantes quanto.

Lembremo-nos que Deus está em nós e age no mundo através de nós. Que nós possamos estar a todo tempo cientes que somos instrumentos e devemos estar sempre disponíveis para sermos usados por nosso mestre.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Confiando em Deus para um 2016 Melhor



"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, plano de dar-lhes esperança e um futuro'" - Jr. 29:11

O profeta Jeremias escreveu durante um período de efervescência política, onde o modesto reino de Judá vinha alternando monarcas corruptos com grande frequência. Naquele mesmo período, Jeremias foi enviado à Babilônia pelo rei Zedequias, para entregar cartas a uma parte do povo que já estava exilada.

Um homem chamado Hananias liderava um grupo de homens que divulgava, dentre outras falsas profecias, que o período do cativeiro seria curto, Em resposta, Jeremias instruiu o povo a não dar ouvidos a palavras que não vinham do Senhor, simplesmente porque elas soavam mais suaves. Ele também alertou o povo que muitas vezes a vontade de Deus é nos levar a lugares e situações que julgamos não serem as melhores para nós.

O Brasil vive uma crise sem precedentes. Assim como Judá há 2.500 anos, estamos nas mãos dos corruptos e interesseiros. Em 2015 sentimos reflexos como não sentíamos há 30 anos. Inflação descontrolada, queda brusca do poder econômico de todas as classes sociais, crise na saúde, crise na educação, desemprego (47% dos chefes de família estão desempregados em dezembro deste ano). Sentimo-nos desamparados por quem supostamente deveria lutar por nós, exatamente como aqueles judeus exilados na Babilônia.

Não é difícil encontrar cristãos que ao se perceberem no olho do furacão, questionam a Deus o porquê disso tudo. "Por que nasci neste país?" "Como reduzir significativamente o sofrimento das pessoas?" "Por que Deus não levanta um homem - ou um grupo de homens - para mudar esta situação?" "Por que os Estados Unidos e Europa conseguem e nós não?"

A verdade é que Deus permitiu àquelas pessoas passarem por isso para que aprendessem a confiar no Senhor. Muitos deles estavam no cativeiro, mas ainda tinham suas famílias, o que comer e o que vestir. Talvez estejamos em situação semelhante e não estejamos conseguindo enxergar que Deus tem nos preservado.

E é exatamente isso que precisamos fazer para ter paz no coração, para vivermos com esperança. Deus enviou tempos difíceis a eles, mas ao mesmo tempo prometeu um refrigério logo mais à frente. Aquelas pessoas puderam ver a queda dos corruptos e da Babilônia, dos que os destruíram, assim como estamos, mesmo que modestamente, começando a ver os corruptos que roubam o dinheiro da merenda dos alunos das escolas públicas irem pra cadeia.

Mas o mais importante é que aquelas pessoas descansaram no Senhor. Confiaram nele, e depois do tempo determinado por Deus, puderam voltar para sua terra e reconstruí-la. Com a atual crise alguns perderam o emprego, outros não conseguem medicação para um tratamento específico. Outros viram ruir a esperança de obter uma bolsa de estudos para seus filhos. No entanto, este não é o final da linha, porque, como canta Luth, "Canaã é logo ali". 

Confiando no Senhor, não temeremos o pavor da noite, a flecha que voa de dia ou a serpente que se move debaixo da terra. Depositando nossa ansiedade e medo no Senhor, ele segurará nossa mão e nos ajudará a caminhar por este vale, a atravessar toda sombra e morte e, quando menos esperarmos, estaremos na bonança. Porque este é o plano do Senhor, que confiemos nele, por onde quer que andarmos ou ele nos enviar.

Que 2016 seja um ano guiado pelo Senhor!

sábado, 28 de novembro de 2015

O Homem, a Religião e o Sofrimento


Ser um religioso dedicado não elimina no homem sua predisposição ao sofrimento. As dores da alma são algo que se aproxima de todos: jovens e idosos, homens e mulheres, crentes e incrédulos. Pessoas sofrem. Religiosos sofrem. Não religiosos, também.

Se Deus é infalível, superior e tudo pode,  então por que permite o sofrimento?

As escrituras sagradas nos ensinam a viver e compartilhar amor, paz, tolerância e esperança, mas também nos trazem fatos que registram o sofrimento vivido por homens piedosos, obedientes e amigos de Deus. Daniel, , Davi, Pedro, Paulo, Moisés, Ester, Noemi, Maria e mesmo Jesus!... em algum momento sofreram. Acaso o sofrimento desses homens e mulheres dá pistas de algo falível no caráter de Deus? Certamente, não.

Engana-se quem associa religião, hábitos de ida à igreja, leitura da Bíblia, orações e/ou boas ações como um tipo de passaporte para a vida leve e sem sofrimento neste mundo. Associar religião à falta de tristezas é um caminho enganoso, que mais cedo ou mais tarde, vai se provar falso. Foi Jesus quem nos advertiu que teríamos aflições no mundo (João 16.33). Por que então insistir que a prática religiosa reduz as chances do sofrimento?

Deus não se relaciona conosco através da religião, mas pelas situações da vida que potencialmente nos aproximam de seu amor e nos ensinam a depender dele. Jesus não ofereceu ao homem uma religião, pelo contrário, convidou todos a romperem com as práticas que valorizavam mais os processos que as pessoas; mais os processos que a adoração sincera.

Com seu exemplo, Jesus nos ensinou a transformar sofrimento em vida. A vida de Jesus abençoa a nossa, e em ciclo virtuoso, nossa vida pode abençoar a de nosso próximo. Isso é fantástico! E como isso acontece na prática? É a religião? É a caridade? É o amor?

É a intimidade com os ensinamentos de Cristo que pode transformar  nossa capacidade de amar (e de permitir ser amado) em meio à dor.

Agir como o Mestre nos ensinou é praticar o amor, que em última análise é o melhor unguento para o sofrimento.


Pedro Madsen & Jaci Madsen

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ahhh, o Sofrimento...


Basta ser humano para potencializar todo tipo de dor e sofrimento. Todos nós sofremos mais cedo ou mais tarde, e a maioria das pessoas passa uma parte grande do seu tempo buscando evitar, fugir ou transformar o sofrimento.

Sogyal Rinpoche, grande mestre budista tibetano, ensina que todo sofrimento tem origem nos martírios gêmeos de ter e de não ter. Se o sofrimento humano reduz-se ao ter e não ter, não me atrevo a opinar. Mas sei que sempre se pode sofrer, e por qualquer número de razões. Pode-se sofrer por causa do passado ou do futuro. Pode-se sofrer por si mesmo ou pelos outros. Pode-se sofrer pelo que se tem ou não se tem. Pode-se sofrer por crenças ou descrenças. Pode-se sofrer porque Deus nos faz sofrer ou porque Ele não nos faz parar de sofrer. Pode-se sofrer porque se está vivo ou porque se está morrendo. Pode-se sofrer em nome do amor, da arte, da ambição ou do próprio sofrimento. Pode-se sofrer porque se sofre demais ou de menos. E pode-se sofrer porque nos recusamos a extinguir nosso sofrimento e, em vez disso, fazemos os outros sofrerem também.

talvez tenha experimentado todos esses tipos de sofrimento. A Teodiceia (a justiça de Deus diante do sofrimento humano), em última análise, é um mistério para nós. Mas nem por isso deixa de nos apresentar lições. A história de Jó levanta a possibilidade de nunca sabermos o motivo do sofrimento ter nos acometido. Em contrapartida, também acena com a reconfortante ideia de que Deus oferece a si mesmo, sua presença amorosa como sustento durante o sofrimento.

Jesus ensinou que devemos buscar ser parecidos com ele, ou seja, com Deus. Isto significa que Deus espera que também nos ofereçamos, assim como Ele o faz, como alento ao sofrimento de terceiros.

Seja qual for o motivo do seu sofrimento, guardá-lo para si, fugir dele ou repassá-lo não trará solução definitiva. Transformá-lo em bem é o que Jesus faria, e espera que façamos. Transformar algo doloroso para você em algo útil para os outros. Se você consegue, através do seu sofrimento, perceber o sofrimento alheio, pode ajudar o outro a dar fim ao sofrimento. Dessa maneira, mesmo que você não seja capaz de se ver livre por completo do seu sofrimento, irá diminuí-lo ao ajudar a diminuir o sofrimento dos outros. Transformar seu próprio sofrimento no não sofrimento dos outros é a maior realização que se pode aspirar na vida. E é este o objetivo explícito de Jesus para sua vida.

sábado, 21 de novembro de 2015

A Enfermidade e a Cura


Todo enfermo anseia por um dia libertar-se da sua enfermidade a fim de desfrutar novamente de uma vida sadia.

Nos tempos de Jesus, ao ver-se enfermo, o israelita, em geral recorria a Deus. Examinava sua vida, confessava seus pecados diante de Deus e pedia pela cura. As vezes recitava um dos muitos salmos compostos por enfermos: "Tem piedade de mim, Senhor, cura-me, porque pequei contra ti" (Salmo 40:5).

Na verdade, aquelas pessoas não tinham muitas opções ao se verem enfermas. A medicina grega, impulsionada por Hipócrates, era praticada em cidades importantes, como Tiberíades e Séforis, mas certamente não passava perto de vilarejos como Nazaré e Cafarnaum. Mesmo se um médico estivesse disposto a ir até lá, os honorários eram por demais elevados para aquelas pobres pessoas.

Tampouco podiam peregrinar até os famosos templos de Esculápio (deus da medicina), ou aos santuários de Ísis e Serápis, divindades curadoras. Também não podiam banhar-se em fontes sagradas consideradas terapêuticas. E se por ventura conseguissem chegar a esses lugares, não tinham condições de pagar as caras oferendas que ali eram exigidas.

As vezes, era possível recorrer aos hasidim (magos, exorcistas). Eram homens piedosos, como Honi, o famoso traçador de círculos. Sua atuação não era de caráter mágico, mas se devia ao favor de Deus. No entanto, estes homens apenas curavam, e o faziam quando Deus os permitia.

Jesus era diferente. Embora suas técnicas fossem semelhantes a dos hasidim (p. exemplo por saliva nos olhos dos enfermos), sua atuação ia muito além da cura. Jesus se apoia no amor curador de Deus, que se compadece dos que sofrem. Jesus não intervém para causar dano, impedir amores ou desfazer-se de inimigos. Também não intervém para que alguém receba uma cura, simplesmente. Jesus cura o sofrimento. Jesus muda o rumo da vida do enfermo.

Para Jesus, curas não são feitos isolados, fazem parte da sua proclamação do reino de Deus. É sua maneira de anunciar esta grande notícia: Deus está chegando, e os mais desgraçados podem experimentar seu amor compassivo. As surpreendentes curas de Jesus são sinal de humildade, de um mundo novo, da nova realidade que Deus quer para todos.

O exemplo de Jesus nos ensina a ver a dor das pessoas. Talvez Você não seja um missionário e não possa ir ao Camboja oferecer uma simples dipirona para aliviar a dor de alguém que sofre de osteoporose e sequer foi diagnosticado (sim, uma dipirona é luxo nas áreas pobres do Camboja), talvez não possa auxiliar pessoas portadores de HIV/AIDS como Kay Warren, ou mesmo possa ajudar os recém desabrigados da tragédia em Mariana-MG. No entanto, existe alguém enfermo ao seu lado. Jesus não procurou os grandes desastres do oriente médio para atuar, simplesmente atuou por onde passava.

Portanto, seu vizinho, seu porteiro, seus primos, seus irmãos, seus pais, seus avós, seus colegas de estudo ou trabalho, são pessoas próximas a você e que podem estar enfermas. A enfermidade dessas  pessoas não está estampada na capa do jornal, mas nem por isso é menos importante. As vezes a enfermidade dessas pessoas se origina no simples vazio que há em seus corações, a espera de Jesus. E muitas vezes, é você e só você quem pode cura-lo.

Enfermidade no corpo ou na alma, tanto faz. Precisam de cura.

Sigamos o exemplo de Jesus e levemos esperança e libertação aos que estão enfermos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Pão da Vida


Volta e meia ouço nas igrejas ministros e pastores anunciarem "Jesus é o pão da vida". No entanto, estou convencido de que o significado deste axioma é desconhecido pelos que o ouvem, e por muitos dos que o pronunciam.

Tudo começa na Pesach (páscoa). A páscoa é celebrada anualmente desde os tempos de Moisés (aprox. 1.280 A.C.) no dia 14 de nisan (este é o primeiro mês do calendário judeu, e começa entre os meses que conhecemos como março e abril). No dia 15 de nisan começa uma festa que dura sete dias, a festa dos pães sem fermento, ou pães Ázimos.

Os pães sem fermento (não levedados) Trazem o significado da páscoa judia e também cristã. O que fermento? No contexto bíblico, fermento pode ser leite, ovo... qualquer ingrediente possa ser adicionado à massa e "contaminá-la", causando fermentação. Quando não há fermento numa casa judia durante a páscoa, simbolicamente aquela casa está pura, ou purificada.

Uma vez que chamamos Jesus de "pão da vida", estamos dizendo que Ele é como o pão ázimo: não recebeu fermento, não foi contaminado pelo pecado. Também estamos dizendo que Jesus é para nossa alma o mesmo que o pão ázimo é para nosso corpo: Quando o aceitamos ou comemos o pão, estamos dizendo que Ele é nossa fonte de vida e sustento. 

O pão ázimo (Matzo em hebraico) é traspassado, moído, assim como Jesus foi ferido por nós; levado ao fogo, assim como Jesus foi provado na cruz; e encontrado verdadeiro, digno de confiança.

Agora que entendemos que Jesus é o pão da vida e o que isso significa, precisamos compreender o que é ingerir do pão da vida que é Jesus. Não se trata de uma questão metafísica, reservada ao campo do subjetivismo. É verdade que há um encontro, um momento especial. No entanto, se fosse só isso, Jesus não teria desenvolvido seu ministério, mas tão somente seu sacrifício.

Comer do pão da vida significa ver o mundo pela ótica de Jesus. E a ótica de Jesus é o que este blog procura abordar em primeiro lugar, pois trata-se da horizontalidade da salvação. Nós fomos criados para nos relacionarmos com Deus, mas também com o próximo. Jesus dedicou-se principalmente aos excluídos e oprimidos. Jesus é Deus dos desamparados, dos impotentes e indefesos. Jesus assistiu quem precisava, e convoca a você e a mim para fazermos o mesmo.

Não pense você que, uma vez ingerido o pão da vida, não há mais nada que você possa fazer. o reino de Deus começa na terra, a partir do momento que você o leva para aqueles que precisam mais de você.

domingo, 1 de novembro de 2015

Penso, Logo Deus Existe



O que faz você pensar? 

Qualquer pensamento tem uma origem. Mas qual é essa origem? A resposta mais simples e óbvia e que nosso cérebro que nos faz pensar.

Mas tente responder estas perguntas: de que cor é um pensamento? Que forma tem? Qual seu comprimento, massa, peso...? Quanto tempo leva para pensar?  Quando você pensa em episódios da infância ou em pessoas que conheceu, como essas lembranças ficam guardadas?  Como você acessa esses dados sempre que quer?  

A revista Newsweek publicou recentemente uma matéria comparando o cérebro de duas pessoas em estados mentais diferentes. As imagens coloridas feitas por ressonância magnética nos mostram um cérebro "normalmente consciente" e um cérebro de um budista em meditação profunda (samádi). Essas imagens mostram que áreas cerebrais diferentes "iluminam-se" de maneira correspondente aos diferentes estados do cérebro, influenciados por estados diferentes da mente. Entretanto, como lembra o filósofo Alfred Korzybski"um mapa não é um território". Os estados cerebrais são efeitos de causas que pertencem à mente.

Uma fotografia do cérebro não é uma fotografia da mente nem da consciência. Não há fotografia da mente porque a mente não é uma coisa física. Não podemos tirar fotografias de volições, intenções, atitudes, crenças, apegos, desapegos, concepções, significados, imagens de si mesmo, alegrias ou tristezas, porque essas coisas se originam na mente, e só se espelham no cérebro. O cérebro é o ponto de convergência entre a mente e o corpo físico. A mente tem propriedades que independem do cérebro.

... E o que é a mente? A mente é a consciência, e determina - em parte - o estado cerebral. Neste sentido, mostrar a imagem de um cérebro iluminado de determinada forma e afirmar que isso explica o samádi pode ser comparado a mostrar a fotografia de um pinheiro enfeitado de determinada maneira e afirmar que isso "explica" o natal.

O que nos faz pensar não é o cérebro, mas a consciência. E, em última análise, é o que nos faz concluir sobre a existência do sobrenatural. 

Assim como as formas físicas de energia radiante, o pensamento tem propriedades como amplitude, frequência, intensidade. E, por outro lado, também tem propriedades como apego, sentimento, discernimento... questões que têm a ver com a alma, com quem verdadeiramente somos. E estas são as mesmas propriedades que serão mantidas quando Deus nos transferir do corpo físico para um corpo glorificado, preparado para a eternidade.

Somos o que pensamos. Pensamos o que somos. 

Natural e sobrenatural!  Deus nos fez assim.  O cérebro morre, a mente não. Pensamentos e sentimentos continuarão conosco mesmo após a morte. 


René Descartes, em seu ceticismo, afirmou "cogito ergo sum" (penso, logo existo). Hoje, o legado de Descartes e de seu filho, o Iluminismo, nos permitem dizer, com toda certeza: Penso, logo Deus existe.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Quem Precisa de Amor?


Quem precisa do seu amor? Você já se fez esta pergunta? Já parou para pensar que enquanto você está sentado em um restaurante com ar-condicionado durante seu horário de almoço existem pessoas realmente necessitadas? Não me refiro aos milhões de órfãos desabrigados na África ou os refugiados da guerra na Síria cruzando o mediterrâneo em direção a Europa. Falo do porteiro do seu prédio, do irmão que você quase nunca vê por falta de tempo, do sobrinho que não simpatiza porque sempre "queimou o filme" da família, da idosa viúva do andar de baixo. Todas estas pessoas estão próximas, ma talvez você nunca tenha pensado que elas têm problemas e necessidades. É por isso que Martin Buber desenvolveu a noção do eu-tu, que significa tratar o outro sempre como uma pessoa (tu) e nunca como uma coisa (isto).

As vezes as necessidades destes que nos cercam são reais, como o que comer ou vestir, as vezes são abstratas, como carência de atenção. Mas você só vai ser capaz de perceber isso se começar a olhar para os outros como tu, e não como isto. Se agir assim, você pode acabar descobrindo ser o único capaz de ajuda-las, e amenizar seu sofrimento.

Jesus uma vez contou uma parábola desconcertante: "Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto. Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado. Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve compaixão. Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: 'Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver'"

Agora se imagine como um dos ouvintes de Jesus: você já peregrinou mais de uma vez a Jerusalém e conhece bem essa região desértica e perigosa. Sabe como é difícil não topar com assaltantes que se refugiam nestes barrancos e desfiladeiros. É de seu conhecimento também que, esta rota, ao mesmo tempo perigosa, é bastante frequentada. Sacerdotes e levitas passam por ali toda semana depois de terem exercido seus serviços no templo, a caminho de Jericó, importante cidade sacerdotal. Também passam por ali peregrinos e comerciantes com destino a Jerusalém, levando suas mercadorias para a capital.

Ao ouvir falar de um homem assaltado e deixado semimorto na valeta do caminho, você que conhece o lugar e os perigos, sente simpatia e piedade em seu coração. Afinal, é uma vítima inocente, abandonada num caminho solitário e que precisa de ajuda urgente. Este homem poderia ser você! Como não sentir compaixão por ele?

Pare e reflita: na sua vida hoje, quem está sofrendo próximo a você, e que o motivo de dor que o acomete poderia não ter atingido ele, mas sim você?

No caminho daquele homem, felizmente, apareceram dois viajantes: primeiro um sacerdote e depois um levita. Ambos vêm do templo. Já realizaram suas obrigações por lá e estão retornando a sua cidade. O ferido os vê chegar cheio de esperança: são de seu próprio povo; representam o templo, sem dúvida terão compaixão dele. Mas ao se aproximarem, os dois têm a mesma reação: passam pelo outro lado da estrada. Por quê? Têm medo dos assaltantes? Não querem tocar num desconhecido ensanguentado e semimorto para não ficarem impuros (isso os faria ter que retornar e só poderem retomar a viagem dias depois)? Você se sente escandalizado com a falta de compaixão desses dois homens. Como não ajudar um homem abandonado a uma morte quase certa?

No horizonte aparece um terceiro viajante. Não é sacerdote ou levita, não vem do templo. Sequer pertence ao povo eleito. É um odiado samaritano. Provavelmente um comerciante dedicado a seus negócios. O ferido o vê chegar com temor. Pode-se esperar dele o pior. Chegará a liquidá-lo? Mas o samaritano vê o ferido, sente compaixão e aproxima-se dele. Faz pelo ferido tudo o que pode: desinfeta suas feridas com vinho, suaviza a dor com azeite, enfaixa-o para proteger suas feridas da poeira do deserto, coloca-o sobre sua própria montaria, leva-o à hospedaria mais próxima, cuida dele e arca com todos os gastos que forem necessários. Este homem, definitivamente, não parece alguém preocupado com suas mercadorias; assemelha-se mais a uma mãe cuidando com ternura do filho ferido.

Sabe, o conceito abordado por Jesus nesta parábola rompe todas as barreiras. É muito mais profundo do que inicialmente imaginamos. Jesus vê o reino de Deus na compaixão de um odiado samaritano. Já não há classificação entre amigos e inimigos, entre membros ou não de seu corpo (a igreja), entre puros e impuros, entre ricos e pobres. A misericórdia de Deus pode vir de fora do templo, de fora dos canais religiosos "oficiais", pode vir de um inimigo! É desconcertante. Jesus olha a vida a partir da sarjeta, com os olhos das vítimas necessitadas de ajuda. Não há dúvida que para Jesus a melhor metáfora de Deus é a compaixão para alguém ferido. Física ou emocionalmente.

O reino de Deus torna-se presente onde as pessoas atuam com misericórdia. Até um inimigo ou um renegado podem ser instrumento e encarnação do amor compassivo de Deus. A mensagem de Jesus constitui um verdadeiro desafio para todos nós: É preciso esquecer preconceitos e inimizades seculares, é preciso reordenar valores. É preciso estender a misericórdia de Deus a todos e despir-se de valores provincianos de grupos sociais.

A pergunta que você deve se fazer é: "Quem tem necessidade de que eu me aproxime dele, me torne próximo e responda à sua necessidade?" É o sofrimento de qualquer ser humano caído no caminho que nos deve ensinar como agir com amor compassivo.

domingo, 25 de outubro de 2015

O Sofrimento


O sofrimento é um professor. Um professor experiente, um Ph.D especializado na vida. Seu ensino torna mais sensível nossa percepção da condição humana. Depois de cada aula do sofrimento, somos capazes de discernir melhor a impermanência, as ilusões, a fragilidade, as futilidades, a vanidade; a nobreza, a honra, a moral, o caráter e a beleza, relacionados à existência.

Buda disse que estar vivo e consciente é sofrer. Se olharmos para esta afirmação por outro prisma, veremos que ele estava correto. Jesus confirma ao dizer "no mundo tereis aflições". É razoável, portanto, afirmarmos que o sofrimento é "onipresente" entre os seres humanos. Um tipo fundamental de mal-estar pelo qual todos passam, sejam quais forem as causas específicas. Ricos e pobres, homens e mulheres, negros e brancos, jovens e velhos; sofrem igualmente, embora o sofrimento de cada um pareça a si mesmo ser único ou maior que dos outros.

Você conhece alguém que nunca tenha sofrido em nenhum momento? Você também não sofre de vez em quando? Há quem suporte o sofrimento de maneira mais estóica ou humorística que os outros, mas todos, seguramente, sofrem de alguma coisa às vezes, ainda que exprimam isso de maneiras diferentes. Alguns sofrem em silêncio; outros protestam em voz alta. Alguns oram e entregam sua dor a Deus ou mesmo a algum santo, outros se tornam cínicos. Alguns culpam os outros; outros culpam a si mesmos. Alguns odeiam ou matam os outros; outros odeiam ou matam a si mesmos. Alguns buscam fugir do sofrimento; outros sofrem por tentativas de fuga. Alguns atingem metas para distrair-se do sofrimento; outros sofrem por atingirem essas metas ou pela própria distração.

A boa nova é que Jesus nos ensina a lidarmos com o sofrimento. Toda a história da intervenção divina na humanidade, aliás, é repleta dessas lições. A travessia do mar Vermelho poderia ser traduzida por travessia do mar de sofrimento. Ao chegar do outro lado, o povo de Israel passou pelo sofrimento com êxito. E assim também nós podemos e devemos fazer.

Pense na mensagem de Jesus como uma aula de natação: nos ensina a atravessar o mar de mal-estar e chegar à praia do bem-estar. De fato, Ele nos ensina a nadar, nos da trajes de banho e nos previne das correntezas traiçoeiras do caminho. Apenas não nada por nós. Ele está do outro lado esperando para nos saudar como vencedores.

No entanto, ele nos adverte que ao atravessar o mar de sofrimento e chegar a praia de bem-estar, não é o fim de tudo. Uma vez um sábio pastor disse: existem três tipos de pessoas: as que estão passando por tribulação, as que estão saindo da tribulação e as que estão entrando na tribulação. O fim de um ciclo de dor nos prepara para toda uma mistura de outros sofrimentos vindouros. Se você está passando por um grande sofrimento, saiba que, quando acabar, você estará livre para sofrer por outros motivos. Sofrer por doenças, por morte, por morte prematura de entes queridos, por maus casamentos, por más colheitas, mau tempo, maus vizinhos, desemprego, exploração, tributação e tudo o mais. Muito embora também esteja livre para ter períodos  de bons momentos, lembranças felizes, superação no trabalho, um grande amor, paz em sua casa, alegria entre amigos e familiares, etc, entre os ciclos de sofrimento.

O importante disso tudo é saber que há alguém disposto a dividir o peso do seu sofrimento com você. Esse alguém é Jesus, e ele oferece um ombro amigo. Mais que altruísta, ele é o próprio Deus criador de todo o universo, que ama sua criação. Você é parte da criação dele, e por isso ele oferece amor paternal. Aceite, e você verá que seus sofrimentos serão menos doídos a partir de então.

domingo, 18 de outubro de 2015

Bom aos Olhos de Deus


"Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu, o outro publicano. O fariseu, de pé, rezava em seu interior dessa maneira: "Ó Deus! Dou-te graças porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como esse publicano. Jejuo duas vezes por semana, dou o dízimo de todos os meus lucros". Por sua vez, o publicano, mantendo-se à distância, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo: "Ó Deus! Tem compaixão de mim porque sou pecador!" Digo-vos que este desceu para casa justificado, e não aquele."

Geralmente esta parábola contada por Jesus é usada para ilustrar como deve ser nossa oração. Isso é verdadeiro, mas assim como no caso da parábola do "grão de mostarda" (que vimos anteriormente), se observarmos com atenção, perceberemos uma lição mais abrangente ensinada por Jesus. Ele destaca três personagens: o fariseu, o publicano e o templo onde Deus habita.

Dos ouvintes imediatos de Jesus, provavelmente todos já haviam peregrinado até o templo (possivelmente por mais de uma ocasião), que era o centro de seu povo e religião. Só ali podia-se prestar culto a Deus. Eles chamavam o templo de "a casa de Deus", pois ali habitava o Deus santo de Israel. Dali Ele bendizia e protegia seu povo. Em outra época, neste mesmo templo, no lugar mais sagrado, estivera a arca da aliança e dentro dela as tábuas da lei. O templo representava a presença de Deus que reinava sobre seu povo por meio dessa lei. Com que alegria apresentavam-se diante dele todos aqueles que a observavam fielmente! O fariseu não é exceção. Provavelmente os dois sobem ao templo na hora em que se oferecem sacrifícios de expiação pelos pecados. Enquanto os sacerdotes realizam os ritos, eles se retiram para examinar sua consciência.

No caso do fariseu, todos já podiam imaginar o que sua consciência dizia, pois todos sabiam bem como eram os fariseus: um homem piedoso que cumpre fielmente os mandamentos, observa estritamente as normas de pureza ritual e paga escrupulosamente os dízimos. É dos que sustentam o templo. Sobe ao templo sem pecado. Deus não pode senão abençoa-lo.

Já o publicano ou arrecadador era alguém que vivia de uma atividade desprezível. Trabalha para arrecadar impostos sufocantes e subir na vida. Sua conversão é impossível. Não poderá retribuir os abusos que cometeu nem retribuir suas vítimas o que lhes roubou. Não pode sentir-se bem no templo. Ali não é o seu lugar.

O fariseu ora de pé, sem nenhum temor. Sua consciência não o acusa. Ele não é hipócrita, tudo o que diz é real. Cumpre fielmente todos os mandamentos, jejua duas vezes por semana, embora a lei só exigisse uma vez ao ano, paga o dízimo de tudo o que ganha, enquanto a lei cobrava somente os dízimos dos produtos do campo. Não se atribui mérito algum, Deus é quem o sustenta. Se este homem, um modelo de fidelidade a Deus, não é justo, quem o será? Com certeza pode contar com a benção de Deus, é o que pensavam os que ouviam Jesus. É o que pensamos nós. Você conhece alguém que, aos seus olhos, é como este fariseu? Alguém que você crê, é mais digno da presença do Senhor que você mesmo(a)?

O arrecadador de impostos, por sua vez, mantém-se à distância. Não se sente a vontade, não se acha digno daquele lugar santo. Ele sabe o que os que estão a sua volta pensam a seu respeito: desonesto, infiel, corrupto. Sequer atreve-se a levantar os olhos do chão, e bate no peito para reconhecer seu pecado e sua vergonha. Não promete nada. Não pode restituir o que roubou de tantas pessoas cuja identidade desconhece. Não pode deixar seu trabalho e mudar de vida. Não tem outra saída senão abandonar-se a misericórdia de Deus. "Ó Deus, tem compaixão de mim" ele ora. Não faz senão reconhecer o que todos já sabem. Ninguém gostaria de estar em seu lugar. Deus não pode aprovar sua vida de pecado. Você já se sentiu assim? Já esteve em algum templo e, olhando para o lado, reconheceu um publicano e desejou não estar em seu lugar? Ou já se sentiu tão indigno e desejou não ser você mesmo?

Jesus conclui que o fariseu não encontrou o favor diante de Deus. Ora, tanto aquelas pessoas como nós pensamos: qual o pecado do fariseu? Qual sua falta para não merecer a graça de Deus? No templo, Deus acolhia os justos em sua presença e excluía os pecadores e impuros. Estaria Jesus contradizendo Deus? Como pode Jesus dizer que Deus acolhe o impuro e rejeita o justo?

A verdade é que as coisas já não funcionam mais a partir da justiça elaborada pela religião. A observância da lei e o culto do templo são substituídos por um convite a viver da misericórdia insondável de Deus.

Jesus quer atrair você para uma experiência real que todo ser humano percebe no fundo do seu ser. Quando alguém se sente bem consigo mesmo e diante dos outros, quando se apoia em sua própria vida, não parece precisar de mais nada. Mas quando a consciência o declara culpado e desaparece a segurança, não sente então o ser humano a necessidade de refugiar-se na misericórdia de Deus e somente em sua misericórdia?

Quando alguém age como o fariseu, situa-se diante de Deus a partir de uma religião na qual não há lugar para o arrecadador de impostos. Quando alguém se confia a misericórdia de Deus, como o arrecadador, situa-se numa religião onde cabem todos.

Não confie em você mesmo, tampouco menospreze a si mesmo. Tão somente confie na misericórdia de Deus.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Fantástico Como um Grão de Mostarda


"Com o reino de Deus acontece o mesmo que acontece com um grão de mostarda. É menor que qualquer semente que se semeia na terra; mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior que todos os arbustos e deita ramos tão grandes que os pássaros do céu aninham-se à sua sombra."

Jesus poderia ter falado de uma figueira, uma palmeira ou uma vinha, como tradicionalmente os rabis faziam. Mas ele não era como os rabis de sua época.

A linguagem de Jesus é desconcertante e sem precedentes. As pessoas esperavam a vinda de Deus como algo grande e poderoso. Naquela época, os esperançosos recordavam de maneira singular do profeta Ezequiel, que falava de um "cedro magnífico" plantado por Deus em "uma montanha elevada e excelsa", que "lançaria ramagem e produziria fruto", servindo de abrigo a todo tipo de pássaros e aves do céu.

No entanto, de maneira surpreendente, Jesus escolhe a semente de mostarda, a menor semente conhecida até então (e a menor até hoje, ao menos no campo proverbial): um grão do tamanho de uma cabeça de alfinete, que com o tempo se transforma num arbusto de três ou quatro metros, no qual, por volta de abril, se abrigam pequenos bando de pintassilgos, que gostavam muito de comer seus grãos. Esta era uma cena que todo camponês na palestina podia contemplar ao entardecer.

Geralmente os evangelistas destacam a pequenez da semente em contraste com a altura da planta. Esta é uma boa comparação. Porém, se observarmos com atenção o texto, veremos que Jesus falava de algo mais profundo.

Para aquelas pessoas, a ação de Deus era como o cedro, que faz pensar em algo imponente, grandioso, poderoso. E esta é a grande metáfora: a semente de mostarda sugere algo fraco, insignificante, pequeno.

Nós, assim como os primeiros ouvintes de Jesus, esperamos algo fantástico e grandioso de Deus em nossas vidas. Queremos milagres e revelações hollywoodianas, pensamos que provisões e curas dignas de um filme são a verdadeira ação de Deus em nossas vidas, e prova de que estamos "bem conceituados" com Ele, sendo aprovados.

Essa postura, ao contrário do que pensamos sumariamente, é quase uma heresia. Primeiro porque NADA do que possamos fazer nos fará mais ou menos merecedores da graça salvadora de Jesus. Depois que, qualquer experiência sobrenatural que você possa vir a ter, não é privilégio seu. Somos todos igualmente pecadores e indignos da presença de Deus, lembra? Sendo assim, Deus proporciona grandes experiências espirituais a qualquer que o buscar, como diz o profeta Jeremias. E ainda, o extraordinário, o cedro, até acontece; temos relatos bíblicos e dois mil anos de biografias para comprovar. Mas o verdadeiro milagre é o grão de mostarda, o imperceptível.

A ação salvadora de Deus se deu de forma deveras humilde, através de Jesus. Hoje não é diferente: um dia de sol inesperado na vida de quem trabalha com obra, um dia chuvoso repentino na vida de um agricultor. Um trânsito inesperadamente bom no dia de quem vai passar horas dirigindo entre bairros na sua cidade, uma desistência de última hora num consultório médico em que você, que está sentindo-se mal ha dois dias, pode ser encaixado e atendido.

Quero encorajar você a ver a verdadeira ação de Deus, o grão de mostarda em sua vida. E quando o fizer, agradeça a Ele por algo tão simples mas ao mesmo tempo tão fantástico.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

As Coisas Precisam Mudar


Você já parou para pensar o que de fato Jesus esperava (e espera) das pessoas no mundo? Jesus falou tanto do reino de Deus, mas você já pensou em sobre como Ele imaginava sua implantação? O que será que Jesus pensava que deveria acontecer para que o reino de Deus se concretizasse em algo bom para as pessoas? Será que Ele pensava apenas na conversão daqueles que o ouviam, para que Deus transformasse seus corações e reinasse num numero cada vez maior de seguidores? Será que Jesus buscava apenas a purificação da religião ou pensava numa transformação social e política em Israel, no Império romano e, definitivamente, no mundo todo?

Certamente Jesus não pregou um reino de Deus vago ou subjetivo. A irrupção de Deus pede uma mudança profunda. Jesus chama todos a mudarem suas maneiras de agir e pensar. Jesus nos ensina que para "entrar" no reino de Deus é preciso inserir-se na dinâmica proposta pelo próprio Deus e construir a vida conforme Ele deseja.

Para Jesus, é preciso que uma sociedade seja um povo que se pode dizer que Deus reina entre eles; ser inteiramente de Deus. Uma nação onde não há brigas entre família, corrupção, insultos, agressões, abusos dos mais fortes e esquecimento dos mais indefesos. Longe disso, um povo livre de todo tipo de escravidão e opressão, onde todos possam desfrutar de maneira justa e pacífica de sua terra e seu lar, onde não há explorados nem exploradores, onde as crianças não morrem de fome e os idosos vivem uma vida digna. Isaías 65:20-22 diz: "Nunca haverá nela uma criança que viva poucos dias, e um idoso que não complete os seus anos de idade; quem morrer aos cem anos ainda será jovem, e quem não chegar aos cem será maldito. Construirão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão do seu fruto. Já não construirão casas para outros ocuparem, nem plantarão para outros comerem.".

Nos tempos de Jesus, muitos pensavam que a única maneira do reino de Deus chegar era a expulsão dos romanos impuros e idólatras. Essa visão míope é repetida por nós hoje em dia, infelizmente. Muitos pensam que só é possível um país melhor com mudanças em todos os escalões do governo e uma reforma política. Sem dúvida, esse argumento é valido, mas é apenas parte do processo. Parte de um processo que começa nos lares, escolas, igrejas e demais locais de convivência.

Pelo que podemos saber da Bíblia e fontes históricas, Jesus nunca teve em mente uma estratégia de caráter político ou mesmo religioso. O importante, segundo Ele, é que todos entrem na dinâmica do reino de Deus. Não é um compromisso religioso, mas uma atitude com profundos reflexos nas ordens políticas e sociais. Porque os que governam, os que julgam e os que elaboram leis são pessoas, seres humanos, que eventualmente estão na porta ao lado. Se essas pessoas forem inseridas no reino de Deus, também vão inserir o reino de Deus na sociedade. E é nosso compromisso fazer parte deste movimento.

Para Jesus, não é possível entrar no reino e acolher a Deus como salvador e ao mesmo tempo acumular riqueza as custas dos pobres. Veja, não é uma questão de quantia; cada um pode ter o quanto lhe for possível e permitido. O que Jesus trata é da exploração, da desigualdade. Ele trás de volta uma nuança da lei de Moisés ha muito esquecida: "abençoe na medida que tem sido abençoado". Nós precisamos viver isso. E precisamos levar isso a cada pessoa a nossa volta, para que toda a sociedade seja contagiada e uma mudança real aconteça em nosso país.

Uma coisa interessante a respeito da visão de Jesus de "reino" pode ser notada em uma palavra: "basileia" tem sido traduzida como reino, mas na época de Jesus era específica para referir-se ao "império" de Roma. O que Jesus quer dizer com isso é que devemos "abandonar" o império desse mundo, ou seja, abandonar os valores pregados pelo mundo. O mundo prega corrupção e ganho de vantagem a custa de terceiros; em contrapartida, no reino de Deus, a lógica é a justiça social e o amor ao próximo.

Quando Jesus diz "Não andem preocupados com coisa alguma, nem o que comer, nem o que vestir. Busquem primeiro o reino de Deus e todas essas coisas serão acrescentadas". Ele não está falando de uma intervenção divina milagrosa como erroneamente pensamos, mas sim uma mudança de comportamento que possa levar TODOS a uma vida mais digna e segura.

Se você acreditar nisso, a realidade de nossa nação vai mudar. Eu acredito, e estou fazendo minha parte. Mas como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão. Se você se juntar a mim nessa luta, nosso verão, o futuro do Brasil, será infinitamente melhor do que podemos imaginar.