domingo, 25 de janeiro de 2015

Jesus e o Alcorão


Os seguidores dos Islã têm restrições ao cristianismo porque, segundo eles, os evangelhos eram originalmente semelhantes ao Alcorão no teor de sua mensagem, mas teriam sido alterados ao longo dos primeiros séculos, pervertendo a mensagem de Alá que fora resumida clara e inequivocamente através do último de seus profetas enviado ao mundo, Maomé.

Particularmente, não estudo em detalhes o Alcorão tampouco a seus seguidores. Entrementes, o que os impede de crer na encarnação de Deus na figura de Jesus e conhecer a verdade, quando do meu conhecimento e alcance, posso e pretendo desmistificar.

A começar, o Alcorão cita Jesus como um dos profetas enviados de Deus/Alá, nascido de uma virgem. Por si, esta afirmativa sem contrapontos é capaz de abrir os olhos dos que realmente buscam a Deus (ou Alá, no idioma árabe).

Quero falar sobre aquela que talvez seja a principal queixa e acusação por parte dos muçulmanos aos cristãos, a acusação de adorarem a três deuses (a trindade). Para o Islã, Deus é o único Deus, e isso seria adultério espiritual.

Ora, de fato há a trindade, mas de fato há somente UM único Deus. Quero falar sobre um indiano chamado Sadhu Sundar Sing, um sique devoto, a quem Jesus apareceu numa visão. Este se tornou cristão e ficou conhecido como apóstolo dos pés sangrentos. Este homem, como todo bom muçulmano, tinha essa acusação contra os cristãos e, ao aparecer-lhe Jesus, o questionou sobre o assunto. Eis a resposta de Jesus a esse indiano, que ele compartilhou com toda sua comunidade e com o mundo:

"Assim como no sol há calor e luz, e a luz não é calor e o calor não é luz, e ambos são um, embora manifestem-se de formas diferentes, assim também eu e o Espírito Santo procedemos do Pai, trazemos luz e calor ao mundo... Entretanto, não somos três, mas um, assim como o sol é um".




Se você é muçulmano, simpatizante do Islã, ou questionador da trindade, medite nessas palavras reveladoras de Cristo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O que a Bíblia diz sobre o governo do P.T.?


O escândalo de corrupção da Petrobrás (maior desvio de verbas públicas da história do mundo) tem feito o povo brasileiro se manifestar no campo político. Não há prisma que aprove a falta de caráter dos envolvidos, e este é só o primeiro sintoma de um câncer em estágio avançado que até então passara despercebido. O Partido dos Trabalhadores elevou a corrupção a um método de governo, e a Petrobrás é apenas um reflexo disso.

Esta situação me levou a refletir sobre o que a Bíblia diz a respeito de governos civis. O próprio Jesus, quando diz a Pilatos "Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima..." em João 19:11, e dois grandes apóstolos encabeçam a lista de citações: Paulo diz "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por Ele estabelecidas... É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal... E por isso também vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho..." Romanos 13:1-7

Pedro afirma: "Sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem" 1Pedro 2:13-14




A Bíblia também deixa claro que o propósito fundamental do governo é servir o povo, e condena os usurpadores de poder em diversas passagens (Dt 16:19, Sl 26:10, Pv 15:27, Pv 17:23, Is 33:15, Ez 22:12, Am 5:12, Hc 1:2-4). Não obstante, temos o testemunho e exemplo de Samuel, Juiz (autoridade suprema na época) sobre Israel: "Aqui estou. Se tomei um boi ou jumento de alguém, ou se explorei ou oprimi alguém, ou se das mãos de alguém aceitei suborno, fechando os olhos para sua culpa, testemunhem contra mim na presença do Senhor e do seu ungido. Se alguma dessas coisas pratiquei, eu farei restituição". 1Samuel 12:3-4

Podemos concluir então que o governo pertence a Deus e é agente da justiça divina (no âmbito social). Mas e quando este governo é quem pratica o mal, o que a bíblia nos orienta?




Podemos então começar a responder a pergunta com as citações: "É mais importante obedecer a Deus que aos homens" de Pedro em Atos 5:29, e o mesmo Pedro, ao lado de João, quando o sinédrio (autoridade instituída) os ordenou que "não falassem mais de Jesus" Atos 4:18, responderam "não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos" Atos 4:20.

Estamos sob autoridade do governo e a ele devemos obediência. No entanto, quando o que o governo trama/idealiza/faz/executa vai contra os princípios (inegociáveis) de Deus, devemos ser subversivos a isto, e temos bons exemplos: João Batista confrontou o rei Herodes com seus pecados, o mesmo fez Daniel com o rei nabucodonosor, também Paulo a Félix e Moisés ao Faraó.

Isso não significa fazer apologia a políticos cristãos, que muitas vezes são pagãos travestidos com interesses mesquinhos por trás, para substituir os que estão no poder. Tampouco apoiar a oposição simplesmente pelo fato dela ser "oposição", sem ao menos investigar suas reais intenções.

O que o Senhor espera de nós é uma posição firme, baseada em conceitos cristãos (não matarás, não roubarás, não adulterarás...) e que através de nós bons políticos possam ter a chance de governar e conduzir a sociedade a um bem-estar saudável e duradouro, baseado nestes princípios cristãos.

E quanto a "oferecer a outra face"?


Jesus disse: "...se alguém o ferir na face direita, ofereça a outra também - Mateus 5:39".

Em Mateus, nos capítulos de 5 a 7, Jesus oferece ilustrações concretas de como deve ser a conduta pessoal de um cristão, na maioria das situações. Trata-se porém, de uma instrução a ser compreendida em seu devido contexto.

Ora, se interpretada ao pé da letra como defendem alguns, então Jesus estaria nos instruindo a afrontar nosso agressor! "Um tapinha não dói". É evidente que este não foi o objetivo do mestre.

Como este blog vem alertando, ler a bíblia requer alguns cuidados. Se tudo o que Jesus disse devesse ser seguido ao pé da letra, então qualquer mendigo poderia levar o mais abastado dos cristãos a falência, visto que Ele diz alguns versículos a frente em Mateus 5:42 "Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja lhe pedir algo emprestado".


Não é preciso muita dedicação para perceber que o ensinamento não se trata nem mesmo de agressões físicas exclusivamente. O Senhor nos esclarece como devemos nos portar diante de uma situação humilhante, como uma afronta ou provocação. Paulo ilumina mais isto em Romanos 12:20 " Se o seu inimigo tiver fome, de-lhe de comer, se tiver sede, de-lhe de beber...".

Traduzindo em miúdos, Jesus orienta-nos a ignorar a ofensa/afronta/agressão, agindo com paz de espírito. Deixando seu "oponente" sentir-se satisfeito ao lhe causar algum mal, eventualmente ele perceberá, ao notar ausência de ira e comportamento piedoso em você, que há algo em você que o preenche (Jesus), e que ele precisa ser preenchido assim também.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A arte de ler a Bíblia - p.2


No texto anterior, expliquei que a hermenêutica é a ciência da interpretação correta das escrituras sagradas. Também citei exemplos de palavras que podem gerar dúvidas e a maneira correta de buscar a resposta correta, dentro do próprio texto.

Em ocasiões em que o texto por si só não basta, podemos recorrer a outros textos em que a palavra obscura ocorre.

No entanto, nossas dificuldades muitas vezes são maiores do que sinônimos corretos para palavras ambíguas. Não é raro pessoas terem dúvidas a respeito de doutrinas e práticas cristãs. Nestes casos, é necessário consultar passagens paralelas, explicando coisas espirituais pelas espirituais.

Por exemplo, ao ler o livro de Gálatas, você vai ler em 6:17 Paulo dizer "trago em meu corpo as marcas de Jesus". Por si só, não é claro. Podemos perguntar "que tipo de marcas? O que ele quis dizer com isso?" É preciso então buscar paralelos para entender. Em 2 Co 4:10 ele diz "trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus", onde o contexto deixa claro que ele se refere a cruel perseguição que continuamente Cristo padecia. Então já podemos entender que essas marcas se relacionavam com a perseguição que ele, Paulo, sofria.

Todavia, há ainda mais luz em outro paralelo, em 2 Co 11:23-25. Nessa passagem Paulo afirma ter sido açoitado cinco vezes. Podemos concluir então que as marcas no corpo de Paulo não eram chagas ou sinais da cruz milagrosa ou artificialmente produzidos. Eram sinais dos suplícios sofrido pelo Evangelho de Cristo.

Que você possa desfrutar de boa leitura, e que o Senhor fale a você através das Escrituras Sagradas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Como mudar a realidade de uma nação?


Serei sucinto. Existem três medidas obrigatórias para que mudanças duradouras ocorram em nosso país:

1) Transformar o coração das pessoas; para que procurem fazer o bem e não o mal;
2) Transformar a mente das pessoas; para que suas convicções morais se alinhem aos padrões morais de Deus descritos na bíblia;
3) Mudar as leis; para que incentivem a boa conduta e castiguem a conduta errada;

O coração é transformado através do evangelismo  pessoal e do poder do evangelho de Jesus Cristo; a mente é mudada por meio de conversa, ensino pessoal, diálogo e debate público; e as leis só mudam com o envolvimento político dos cristãos.

Uma dose de bom-senso


Existe uma linha de posicionamento cristão que defende a ruptura na comunicação entre a igreja (o corpo de Cristo, a parcela evangélica da sociedade) e governo. Ora, o evangelho não é somente "creia em Jesus, seja perdoado de seus pecados, cresça espiritualmente e vá morar no céu". Claro que este é o cerne do evangelho e sua mensagem fundamental, mas o evangelho é a boa-nova de Deus a respeito da vida como um todo!

Mateus 28:19-20 reproduz as palavras de Jesus "Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações ... ensinando-lhes a obedecer todas as coisas que vos ordenei". Ora, de qual parte da bíblia, então, devemos deixar de pregar? Rm 13:1-7? 1Pe 2:13-14? Gn 9:5-6? Is capítulos 13 e 23? Amós capítulos 1 e 2? E Daniel influenciando o governo da Babilônia?

Jesus e seus apóstolos (ao nos escreverem) se apoiam frequentemente no Antigo Testamento, ratificando a autoridade de Deus antes revelada, e deixando claro que "ensinando-lhes todas as coisas que vos ordenei" significa ensinar fielmente toda a bíblia.

Ora, evangelizar é sim parte da missão do cristão e da boa nova, mas lembrando que Deus instituiu todos os governos sobre a terra, que Paulo nos ensina a orarmos pelas autoridades, devemos sim, enquanto comunidade cristã, oferecer influência sobre o governo, para que este possa refrear o mal que se estabelece nos países. Ou alguém acha um bom governo o da Arábia Saudita que proíbe a pregação do evangelho e persegue cristãos?

Por certo estamos na terra para glorificar a Deus, e o fazemos seguindo seus conselhos, como "amarás ao teu próximo como a ti mesmo". Amar ao meu próximo pode ser entendido como proteger a ele e sua família (pais, irmãos e filhos) de um motorista alcoolizado. E isso só pode ser feito através de medidas governamentais. As autoridades foram ordenadas por Ele, e devem ser motivo de temor para os que praticam o mal, não para os que praticam o bem (Rm 13:1-3).

O governo é enviado para punir estes indivíduos, cumprindo assim seu papel de preservar o bem material das pessoas. Isso mesmo, material! Jesus curava as pessoas, deixando claro que se preocupava com seu bem-estar material, proporcionando-lhes condições agradáveis de sobrevivência. Isso não tem nada a ver com a questão do materialismo, mas sim de que se o resumo de tudo fosse a conversão, assim que aceitasse a Jesus você morreria e iria para a presença de Deus. No entanto, não é assim.

Por que você aceita o evangelho, se santifica e continua vivo? Sim, para propagar o evangelho, mas também para mudar a vida de todos os que estão ao seu redor. Uma vez que você aceita a Jesus, espera-se que transforme sua família, seu bairro, sua cidade... Diante disso, será que as igrejas devem ensinar seus membros a fazer boas obras em hospitais, em comunidades carentes, em escolas, mas não no governo?

Só podemos chegar a uma conclusão: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" significa que devo buscar o bem-estar do meu próximo em todos os aspectos da sociedade, e isso inclui empenhar-me para que haja bons governos e boas leis.

A arte de ler a Bíblia


Todo cristão deveria estar familiarizado com a "Hermenêutica". É um nome que assusta, mas seu significado é simples e fundamental para uma boa interpretação do texto bíblico.

Qualquer pessoa, leiga ou erudita, encontra dificuldades; em maior ou menor grau; no entendimento do texto bíblico. Alguém sem muito conhecimento pode abrir a bíblia em um determinado trecho e fazer uma interpretação baseada no que ele pensa ser a forma usual/correta de aplicação de determinada palavra, e assim acabar cometendo um grave erro. Erro este não só de interpretação de texto, mas de interpretação das mensagem e vontade de Deus.

Existem palavras, como "carne", "fé", "sangue", "salvação" e "graça" que são aplicadas em situações e contextos diferentes. Por exemplo Ezequiel 36: 26 diz "... e lhes darei um coração de carne", apontando claramente para uma disposição terna e dócil da palavra. Já em Efésios 2:3 "Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne", o que significa nossos desejos naturais e egoístas. Em 1 Timóteo 3:16 "Aquele que se manifestou em carne", vemos que o termo equivale a forma humana. Em Gálatas 3:3 "Tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?", trazendo um significado de observância as cerimônias judaicas, como circuncisão. E esses são apenas alguns exemplos.

Tendo isso em mente, precisamos aprender a fazer essa diferenciação. Para isso, existem algumas regrinhas básicas, ou dicas que você deve seguir ao ler a bíblia. A regra fundamental; ou regra das regras; serve de eixo para todas as outras: A Bíblia explica a própria Bíblia. Não recorra a outras fontes, se não a própria escritura para interpreta-la. Se há uma palavra que gera dúvida, procure primeiro identificar seu sentido pela frase, pelo parágrafo ou mesmo por todo o conjunto da obra.

Sabendo disso, é preciso tomar as palavras em seu sentido usual e comum, atentando a forma como era usada na época em que foi escrita. Então é preciso tomar a palavra no sentido que indica a frase. Isto posto, é necessário atentar ao sentido do contexto, aos versículos que antecedem e sucedem. Então é necessário levar em consideração o objetivo do livro e/ou da passagem em que a palavra ocorre.

Este é post introdutório, de uma série de textos que publicarei sobre o assunto. Meu objetivo é que com essa ferramenta em mãos, você possa desfrutar de uma leitura sadia e assertiva da bíblia, e se preparar melhor para conhecer a vontade de Deus para sua vida.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sobre Salmos

Os nomes "Salmos" e "Saltério" foram extraídos da Septuaginta (versão grega do A.T.), e se referem a instrumentos de cordas como harpa, lira, kytros, entre outros. O título hebraico deste livro é "Tehillim", que significa "Louvores"; muito embora uma parte dos salmos sejam "orações", ou "Tephillot" em hebraico.

Os salmos, ou saltério, é na maior parte livro de oração e louvor. Falando a Deus na oração e a respeito dele no louvor. Pode-se dizer sem medo de errar que é poesia do começo ao fim. Em bora nem toda oração ou louvor fossem poéticos, os salmos são vívidos, concretos e apaixonados.


O livro de salmos é, sem sombra de dúvidas, o mais rico de toda a bíblia em termos literários. As figuras de linguagem são abundantes. Símiles, metáforas; assonâncias, aliterações e jogos de palavras. A poesia hebraica (idioma original) não tem rimas ou métrica regular. Seu grande viés é o paralelismo, em que o maior dos versos é compostos por dois (as vezes três) segmentos equilibrados entre si, sendo o primeiro segmento, em geral, um pouco mais extenso que o segundo; e este, por sua vez, ecoa, contrapõem ou complementa estruturalmente o primeiro. Isso é apenas uma generalização da riqueza literária dos salmos.

O saltério é uma grande coletânea e representa a etapa final de um processo que levou séculos. O saltério era dividido em cinco livros (1-41, 42-72, 73-89, 90-106, 107-150) provavelmente para imitar o pentateuco de Moisés, e cada um desses livros recebia uma doxologia apropriada no final. No entanto, outras divisões foram adotadas ao longo da história, como por exemplo "os sete salmos penitencias", que receberam esse nome em decorrência do uso litúrgico cristão.


Certamente dezenas de formatos foram adotados até este formato final. Mas daí surge a pergunta: Por que a divisão? Como ela é feita? O primeiro livro de salmos, concebido em era pré-exílica, faz uso frequente do nome divino "Iavé" (O Senhor), ao passo que o segundo livro, também pré-exílicousam mais "Elohim" (nome genérico de Deus). O quarto Livro tem por característica a expressão "O Senhor reina", e o quinto livro é o livro das "Aleluias", palavra que mais se repete. Além de outras sensíveis diferenças literárias.

Dos 150 salmos, somente 34 não têm título. São os chamados "salmos órfãos", e estão sobretudo nos terceiro, quarto e quinto livros.

Que possamos usar deste conhecimento para louvar ao Senhor, nos aproximar dele por intermédio de Cristo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Faraó do Êxodo

O Egito antigo tem algumas respostas (ou pistas) para partes da Bíblia que não são 100% claras a nós, que vivemos em outra época, em um mundo completamente diferente, com parâmetros e realidades bem distintas. Isso porque o Egito era uma civilização contemporânea de Israel a diferença que, uma parte de sua história ainda é clara devido aos relatos nas paredes bem conservadas dos inúmeros templos espalhados a margem do nilo.

A história do povo de Deus "esbarra" com a do povo egípcio por mais de uma vez. Abraão tem uma breve passagem pelo Egito; José faz história no Egito, e é justamente nele que se começa a entender o êxodo historicamente e imaginar quem foram os antagonistas, os personagens do lado egípcio. Conhecer duas fontes diferentes da mesma informação consolida nosso conhecimento. Por isso, direciono a partir de agora, as atenções para o lado egípcio.

No antigo Egito acreditava-se que todas as pessoas tinham sonhos proféticos. Existia um livro dos sonhos para interpreta-los. Se você fosse um egípcio e tivesse um sonho e quisesse que fosse interpretado, deveria ir a um templo aonde um sacerdote iria buscar nos arquivos de papiro a interpretação correta. Se você sonhasse que era um pigmeu por exemplo, era sinal de que metade da sua vida já tinha passado. Mas os sonhos do Faraó da história de José não estavam no livro dos sonhos, por isso seus sacerdotes não podiam interpreta-lo. José no entanto podia interpretar os sonhos q não estavam no livro dos sonhos. A Bíblia diz que ao interpretar o sonho do Faraó José se tornou o segundo homem mais poderoso do Egito, respondendo apenas ao Faraó. Este era um cargo de confiança que realmente existia e a palavra egípcia para tal que mais se assemelha ao português seria vizir real, e é bem lógico que o Faraó tenha dado esse cargo a José afinal, seus sonhos o atormentavam e ninguém conseguia lhe dizer o significado até então. Isso quer dizer que quem quer que tenha escrito a história de José e dos patriarcas tinha grande conhecimento sobre o Egito. Some-se isso ao fato de que na ilha de Sarrel (localizada no sul do Egito - uma ilha cheia de inscrições em pedras) há um registro de uma fome de 7 anos (não é registrado a época, mas me parece improvável que outra fome com os mesmos 7 anos tenha ocorrido no Egito antigo) e fica comprovada não só a veracidade da história de José como os muitos anos que os Israelitas viveram no Egito.

José, Jacó e seus familiares estabeleceram-se no Gósen (mais conhecido como Delta) e por lá os israelitas das gerações seguintes viveram. A Bíblia e os registros egípcios são unanimes em dizer que aquela era uma área praticamente virgem do Egito. Porém, depois de algumas trocas de dinastias, uma nova dinastia ascendeu ao trono, uma dinastia conquistadora, de reis militares. Ramsés II (terceiro rei desta dinastia) decidiu mudar a capital de Menfis para uma cidade nova, batizada de Ramésses e por ser uma área isolada do resto do Egito precisava de uma cidade-armazém para suprir todas as necessidades da realeza. Essa seria a cidade de Pitom. Ramsés era de uma família de Generais, ele foi protagonista da maior batalha que um Faraó já ganhou, quando ainda era jovem (Batalha de Kadesh contra os Hititas). Foi um motivo militar que o levou a mudar a capital de lugar: Das cidades de Ramésses e Pitom ele podia lançar ataques diretos tanto para oeste quanto para leste estando protegido ao norte pelo mar e ao sul pelo próprio nilo. Acontece que na área supostamente inabitada e militarmente estratégica haviam mais de 600 mil estrangeiros. É um bom motivo para não ser simpático aos israelitas.

Outra evidência que aponta Ramsés II como o Faraó sem nome do êxodo é uma de suas primeiras construções quando ascendeu ao trono, o templo de Abu Simbel. Na verdade foram construídos 2 templos irmãos, sendo o segundo em homenagem a primeira esposa do Rei: Nefertari. Este templo levou aproximadamente 20 anos para ser concluído, e é nesta obra que surge a pista. No segundo templo Ramsés escreve orgulhosamente o nome de todos os seus filhos na entrada. Amon-Rekeptchef, seu primogênito, é o primeiro da fileira de filhos. No entanto, ao lado de seu nome há 2 hieroglifos enormes que significam "MORTO". Ou seja, ele estava vivo quando a construção começou e havia morrido antes de seu término. O que levanta a possibilidade dele ter sido morto na décima praga.

Há uma única menção a Israel em toda a história do Egito. É um registro feito pelo sucessor de Ramsés, Menephtá (seu décimo terceiro filho), em uma Estela conhecida como "Estela de Israel". Uma Estela era uma placa de pedra enorme colocada na entrada dos templos, uma espécie de quadro de avisos se comparada aos nossos tempos modernos. Nesta Estela Menephtá escreve se gabando de suas incursões militares. Ele menciona alguns povos: "Canaã esta acabada, os hititas não mais são uma ameaça..." por fim ele menciona Israel. Ele diz a respeito de Israel: "Israel está acabada, sua semente não existe mais, sua chama se apagou". A linguagem escrita dos antigos era pragmática e fascinante. Todas as nações citadas pelo Faraó terminam em hieroglifo de 3 pedras que na verdade representam montanhas, este é o símbolo do país estrangeiro. Porém, a menção a Israel termina em hieroglifo de pessoas, um homem e uma mulher. Ora, se Ramsés foi mesmo o Faraó do êxodo, então o hieroglifo de Israel na Estela de Menephta não poderia mesmo terminar em 3 pedras. Na ocasião das expedições militares de Menephta o povo de Deus estava no deserto vagando e ainda não tinha se estabelecido como nação.

Ramsés II foi o maior Faraó que o Egito teve. Governou no ápice da civilização egípcia, teve o reinado mais longo de um rei: 67 anos (em uma época que a idade média era de 30 anos), muitos egípcios nasceram e morreram sob seu governo (consolidando a imagem de deus encarnado na cabeça de todos que nasceram sob seu reinado), construiu um templo enorme exclusivo para seu funeral, sua tumba real tem + de 5 mil metros enquanto que a segunda maior tem apenas 800m. Estipula-se que em sua câmara mortuária (que também é a maior do vale dos reis) teria o maior tesouro reunido na história do mundo, antes de ser saqueada. As inscrições dizem que quando Ramsés II morreu o Egito chorou. Nos anos 70, quando a múmia de Ramsés chegou ao aeroporto de Paris, foi recebida com todas as honrarias de um chefe de estado (3.300 anos depois de sua morte!!!). Ora, O Egito (assim como a maioria dos outros povos contemporâneos) era um pais cuja religião tinha enorme influência sobre o Estado. Os Faraós eram deuses encarnados, cada Faraó que ascendia ao trono era uma espécie de Jesus Cristo na cultura do egípcia, e todo o oriente médio compartilhava com o Egito a visão de Faraó-deus.

Ser visto como deus encarnado era (e é) algo extremamente agradável de se aceitar. Quando Alexandre o Grande dominou o Egito 1.000 anos após Ramsés II, ele consultou os oráculos egípcios para saber se já era digno do posto de deus em terra soberano do Egito. Sendo um Faraó, ele seria visto como deus por todo o mundo conhecido. Então os gregos passaram a dominar o Egito como Ptolomeus e o fizeram do próprio Egito assumindo o posto de Faraós-deuses. Antes deles os núbios e os assírios já haviam "incorporado" a religião egípcia para enaltecer os próprios egos e se sentirem um pouquinho Faraós como Ramsés; e por fim os romanos que foram o primeiro povo a dominar o Egito e não governar de lá, mas em compensação acabaram com sua democracia instituindo Imperadores soberanos, numa tentativa de em pequena escala serem tão grandes quanto os Faraós.

Eis a importância de descobrirmos quem foi o Faraó do êxodo. Diante de toda este fascínio e veneração de todo o mundo em quase todas as épocas pelos Faraós, o nosso Senhor e verdadeiro Deus escolheu a dedo o mais poderoso deles deste que foi o mais longo e maior império que o mundo já viu (durou cerca de 3.300 anos), justamente em seu apogeu para mostrar a humanidade que somente Ele é Deus.

Ramsés foi o maior dos Faraós e, sem dúvida o homem mais poderoso da terra em todos os tempos. Ainda assim, sua fragilidade diante de Deus não foi menor que a do mais simples e pobre homem que já passou por este mundo.